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Teoria do Elo: entendendo a conexão da violência

Foto do escritor: Andressa Bianchessi
Andressa Bianchessi
9 de jun.
4 min de leitura

Atualizado: 1 de jul.


Crueldade contra animais pode ser um dos primeiros sinais de violência contra mulheres, crianças e idosos, apontam estudos


A violência contra os animais vai além de um ato isolado de crueldade. Estudos desenvolvidos nas últimas décadas apontam que os maus-tratos a animais estão frequentemente associados a outras formas de violência dentro do ambiente familiar.

Essa relação é explicada pela chamada Teoria do Elo, conceito que evidencia a conexão direta entre a crueldade contra animais e a violência interpessoal. Originada a partir de estudos criminológicos e comportamentais, a Teoria do Elo afirma que a violência doméstica, o abuso infantil e os maus-tratos a animais fazem parte de um mesmo ciclo de agressão. Nesses casos, os animais de estimação podem se tornar "reféns emocionais". Ameaças ou agressões contra os pets são usadas para silenciar vítimas humanas, que permanecem em situações de abuso por medo de que seus animais sofram retaliações.


Um importante sinal de alerta

A relevância da Teoria do Elo para a segurança pública está no fato de que a crueldade contra animais pode funcionar como um indicador precoce de comportamentos violentos. Diversas pesquisas apontam que esse tipo de agressão surge entre os sinais mais comuns observados antes da prática de crimes graves contra pessoas.

Especialistas destacam que muitos agressores começam exercendo poder sobre animais indefesos antes de direcionar a violência contra parceiros, filhos ou outros familiares. Reconhecer esses sinais permite que autoridades, profissionais da saúde, educadores e assistentes sociais atuem na prevenção e interrupção de ciclos de violência.


Mulheres estão entre as principais vítimas

Dados analisados por pesquisadores da área apontam que as mulheres figuram entre as principais vítimas no contexto da Teoria do Elo. A violência doméstica continua sendo uma das formas mais comuns de agressão registradas no Brasil.

Na maioria dos casos, os autores são cônjuges, pais ou filhos, seguidos por namorados, ex-companheiros, conhecidos próximos e vizinhos. Esse cenário reforça que a própria residência, local que deveria representar proteção e segurança, muitas vezes se transforma no principal ambiente de ocorrência das agressões.


A vereadora de Curitiba, Andressa Bianchessi (UNIÃO), apoiadora ativa da causa animal, defende a Teoria do Elo e a importância do entendimento sobre o tema, buscando formas de conscientizar a população, promover segurança e proteção às vítimas, humanas e animais. Visando isso, a parlamentar fez uma sugestão ao Executivo para a criação de um canil na Casa da Mulher Brasileira de Curitiba, que foi acatada pelo ex-prefeito da cidade, Rafael Greca de Macedo, pelo atual prefeito, Eduardo Pimentel e pela secretária municipal do Meio Ambiente de Curitiba (SMMA), Marilza do Carmo Oliveira Dias.


O objetivo da construção do canil é manter as mulheres vítimas de violência doméstica atendidas pela instituição, próximas de seus pets, que muitas vezes são deixados para trás ou motivo de impedimento das vítimas buscarem ajuda, devido ao receio em deixá-los com o agressor.



Em entrevista ao Tribuna Cast, da Câmara Municipal de Curitiba, Andressa Bianchessi ressaltou que muitas mulheres consideram seus animais como membros da família. Segundo ela, esse apego emocional pode ser um dos fatores que dificultam a busca por ajuda, especialmente quando o animal também sofre maus-tratos por parte do agressor.


A entrega do canil ocorreu em março deste ano, resultado de uma parceria entre a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (SMMA) e a Secretaria Municipal da Mulher e Igualdade Étnico-Racial (SMIR). A obra foi viabilizada por meio de emendas parlamentares que totalizam R$ 4,5 milhões, destinadas pela vereadora.


Ao comentar a conquista, Andressa destacou a importância da iniciativa para a proteção integral das famílias atendidas pela rede de acolhimento.


“Temos uma gestão com um olhar diferenciado. É preciso entender que, cada vez mais, os animais fazem parte das famílias. Eles têm direitos garantidos por lei, e é fundamental que esses direitos sejam respeitados”, afirmou.

Cabe destacar que a Polícia Militar do Paraná realiza o resgate de pertences das mulheres acolhidas pela Casa da Mulher Brasileira, incluindo seus animais de estimação. Além disso, a Patrulha Maria da Penha, da Guarda Municipal de Curitiba, também pode ser acionada para realizar o resgate dos animais quando solicitado pelas mulheres atendidas pela instituição.



Evidências que reforçam o alerta

Levantamentos realizados por diferentes estudos e reunidos pela Associação Amigos Defensores dos Animais e do Meio Ambiente demonstram a relevância e a gravidade dessa relação, conforme os exemplos a seguir:

·     88% das famílias onde houve crueldade contra animais também apresentaram abuso infantil.

·     52,5% das mulheres vítimas de abuso relataram ameaças ou violência contra seus animais de companhia (Ascione, 2007).

·     Entre as mulheres acolhidas em abrigos, 50% informaram que seus companheiros ameaçaram ou machucaram seus animais de estimação, enquanto 26,8% relataram que a preocupação com a segurança dos animais contribuiu para a permanência na relação abusiva (Faver & Strand, 2003).

·     71% das mulheres vítimas de violência doméstica relataram que seus parceiros ameaçaram, feriram ou mataram os animais da família.

·     Cerca de um terço dos indivíduos autuados por maus-tratos a animais possuía antecedentes policiais por outros delitos, e, em 50% desses casos, os registros incluíam também crimes cometidos contra pessoas (Cel. Marcelo Robis, 2013).


Pesquisas apontam ainda que locais com maior número de animais, apresentam maior índice de violência. Além desse fator, quanto maior a vulnerabilidade social de uma população, maior será a frequência de violência, devido a estrutura familiar, escassez de recursos ou fatores de rotina estressantes.




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